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HISTÓRIA DE
ILHABELA |
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Antes da chegada dos colonizadores portugueses ao Brasil, em 1500, a Ilhabela era habitada pelos índios tupinambás, exímios canoeiros e nadadores. Seu nome então era "Ciribaí", que significa "lugar tranquilo". O local foi batizado como Ilha de São Sebastião por Américo Vespúcio, no dia 20 de janeiro de 1502. Como era de praxe, o navegador italiano, que explorava o continente a pedido dos Reis de Espanha, deu ao local por onde passou, o nome do santo do dia, do calendário cristão. A ocupação das terras de sesmaria nos tempos coloniais fez surgir o povoado da Villa Bella, em 1532. O seu crescimento foi favorecido pela proliferação de engenhos de cana-de-açúcar, que aproveitavam as cachoeiras para mover suas rodas d'água. Entre os mais de 30 engenhos que funcionaram na ilha, o da Fazenda da Toca, o Engenho da Cocaia e do Engenho D'Água ainda exibem suas moendas e outros maquinários que produziram cachaça e melaço até os anos 80. No início da fase das fazendas de engenho, paralelamente, a cultura de fumo, anil, feijão, frutas e produção de farinha de mandioca se desenvolveram também, além de criações de animais. Mais tarde, o ciclo do café substituiria parte dos engenhos de aguardente. Alguns retornariam numa segunda fase. Uma pesca farta garantia a subsistência e ajudava o comércio. Na praia da Armação, era extraído o óleo de baleia para ser exportado e abastecer as luminárias do Rio de Janeiro. A mestiçagem com os índios tupinambás fez surgir na ilha e em todo o litoral o "caiçara", nome que os índios davam a quem vivia nos núcleos dos colonizadores - que eram cercados por varas de bambu - e também às armadilhas indígenas de pesca.
Ilhabela registrou alta atividade de piratas desde 1553, no período inicial da colonização do Brasil. As caravelas portuguesas que por aqui passavam, rumo aos portos de Santos e São Vicente, trazendo os escravos da África e levando para Portugal as riquezas do Brasil, eram um grande atrativo para piratas de todos os quadrantes. Corsários ingleses como Thomas Cavendish, Francis Drake e Edward Fonton, ou holandeses como Lourenço Brear, costumavam utilizar as águas calmas do Saco do Sombrio para esconder seus navios e esperar que embarcações comerciais passassem ao largo da baía dos Castelhanos. Em 1582, o padre José de Anchieta, que ia de Santos ao Rio de Janeiro, numa grande canoa conduzida por índios, desembarcou às pressas na Ilha para fugir da perseguição do corsário inglês Edward Fonton, que já havia saqueado vários navios na região. Mas a história mais saborosa de atividade de piratas na Ilha conta as aventuras de Thomas Cavendish a serviço da rainha Elizabeth I da Inglaterra. Em 1591, Cavendish deixou o porto de Plymouth, na Inglaterra, com cinco navios e mais de 400 homens, e rumou para Ilhabela. O objetivo inicial da esquadra era atacar a Vila de Santos, e a frota ancorou aqui na Ilha para se reabastecer e arquitetar seus planos. O ataque foi armado para a noite de Natal desse ano, quando dois navios ingleses entraram na pequena vila e aprisionaram toda sua população, que então assistia à Missa do Galo na igreja local. Com a cidade dominada, o resto da esquadra foi chamada em Ilhabela para realizar a pilhagem. Os piratas permaneceram ali, dominando os habitantes e a guarnição militar portuguesa até 3 de fevereiro de 1592, quando partiram rumo ao Estreito de Magalhães para tentar a circunavegação do globo. Cavendish já havia realizado tal façanha, pelo que era considerado um herói na corte da rainha Elizabeth I. Ao longo do século XVI os portugueses estabeleceram pontos de defesa em todo o litoral brasileiro, e também nesta Ilha. No costão próximo à praia da Feiticeira e na área onde posteriormente seria erguida a Vila, foram encontrados canhões portugueses com datas de 1526, 1531 e 1540. O final do século foi uma época de intensa atividade de piratas ingleses e holandeses na região.. O povoado de Ilhabela recebeu o nome de Villa Bella da Princesa. Alcançou a sua emancipação política-administrativa em 03 de setembro de 1805 com este nome. Passou a se chamar apenas Villa Bella (popularmente) sem que houvesse medida legal (decreto), para essa mudança. Ficou com este nome até 1940, quando ai sim, por decreto mudou de nome para Formosa, e em 1944 para Ilhabela. O nome Ilhabela tem, portanto 51 anos. A população do município de Ilhabela sempre se concentrou na faixa próxima ao mar, principalmente na parte do canal, embora o caiçara tenha vivido até hoje, em toda volta da Ilha, principalmente nas praias e lugares mais abrigados. Até a década de 50 a população do município era genuinamente caiçara. A partir daí começam a chegar os primeiros migrantes e turistas, estes vindos principalmente da capital paulista. E assim é que algumas famílias de turistas que adquiriram propriedades aqui na Ilha naquela época e até antes de 50, as conservam suas até hoje, como a Vila Caiçara, o Engenho D’água, a Garapocaia a Ponta das Canas, a do Catatau. O turismo desenvolveu-se com mais intensidade a partir de 60 (com o advento da balsa em 1958). A partir daí, até hoje, o município equipou-se de bom comércio, voltado para o turismo. Até a década de quarenta, o município de Ilhabela teve boa atividade agrícola, desenvolvendo-se principalmente, o plantio de cana de açúcar para o fabrico de pinga, tão famosa e preferida. Lembramos, como ilustração, os nomes de algumas marcas como Feiticeira, Engenho D’água, Ponta das Canas, Favorita, Consolo, Marafa, Leite Irmãos, Bexiga, Morrão Caiçara, Cocaia, Tangará, Engenho Novo, Amansa sogra. Na área pesqueira o município teve uma atividade bem desenvolvida principalmente na pesca da sardinha que era feita em grande escala. Ainda com relação à agricultura, desenvolveu-se o plantio do café, banana, laranja, abacate, caju, jaca, feijão, milho e mandioca. Boa quantidade dessa produção era levada para Santos, para ser comercializada, através das grandes canoas de voga (a remo), e pelos barcos que mantinham uma linha periódica para aquela cidade e de lá para cá. Atualmente a economia do município de Ilhabela está voltada apenas para o turismoILHABELA HOJE Com mais de vinte mil habitantes, A Ilhabela adotou o turismo como principal atividade econômica e criou uma infra-estrutura apropriada para isso. Existem hospedagem para todos os gostos. São hotéis, pousadas, chalés e campings que totalizam 3118 leitos. As opções gastronômicas também são variadas e se espalham por todo o canto, em quiosques, bares e restaurantes mais sofisticados. A região tem também prato típico, o Azul Marinho: peixe cozido com banana verde e pirão. Vale a pena experimentar.
A Capital da Vela e dos esportes náuticos
Muita água, vento, praia de todos os tipos. Esses ingredientes fazem da Ilhabela um centro de atividades aquáticas. Para os amantes da vela, as condições são perfeitas: o sistema de ventos e correntes adequado à pratica deste esporte faz do canal uma verdadeira raia de competições. Dependendo da direção do vento, os velejadores podem estar na Ponta das Canas, Praias da Armação ou do Pinto, Ponta Azeda, Engenho D’água e Perequê. E, todos os anos, no mês de julho, acontece a Semana de Vela de Ilhabela, evento de repercussão internacional entre os velejadores, que neste ano comemora sua 28ª Edição. Só mais uma prova de que esse é o lugar ideal para velejar: ninguém menos do que o campeão olímpico da classe laser Robert Scheidt elegeu a Ilhabela como o seu refúgio e “pista de treinos”. Mas não precisa ser fera para navegar por aqui, há escolas de iatismo que oferecem cursos básicos de vela. Já os mergulhadores se concentram em frente ao ilhote das Cabras, um Santuário Ecológico Submarino. Sem falar na costa Sul, conhecida como “Triângulo das Bermudas da América do Sul”. Lá, é possível mergulhar entre navios naufragados como o brasileiro “Atílio” (1905), o britânico “Whator” (1909) ou o espanhol “Príncipe das Astúrias”(1916). Outras Praias acolhem os mergulhadores como a Praia do Jabaquara, Pacuíba, Portinho, Feiticeira, Prainha, Remanso, Indaiatuba, Enchovas, Serraria, Fome e Poço. E não pára por aí. O espaço para o surf fica reservado para as Praias de Castelhano e Bonete. Para chegar até Castelhanos, é preciso encarar uma trilha de 20 km que pode receber jipes, motos e, com alguma dificuldade carros de passeio. Para o Bonete, só indo a pé ou de barco. A pesca oceânica em mar azul é mais um esporte nobre praticado na Ilha. Como nos Estados Unidos, a maioria desses peixes é devolvida ao mar, depois de receber uma identificação (Tag and Release System) . Trata-se de um ato de profundo respeito à natureza. A pesca costeira também é bem explorada na Ilha, principalmente nos meses de inverno, onde a enchova é o peixe mais procurado. Outra opção é o ecoturismo, com passeios organizados por mais de dez receptivos turísticos (telefones úteis em anexo), que dispõem de equipamentos de mergulho e pesca, lanchas, escunas, jipes e até cavalos. São inúmeras trilhas que levam às cachoeiras como a da Laje ou da Toca, ou aos picos de escalada como o Baepi, com 1025 metros de altitude. Os exploradores podem se deliciar com um total de 70 quilômetros de costa virgem com acesso exclusivo por mar. A presença do famoso borrachudo torna indispensável a esse tipo de passeio o óleo de citronela ou produtos repelentes. Mesmo assim, a incidência do inseto já diminui cerca de 80% na região do canal de Ilhabela, graças à aplicação de um larvicida biológico nas nascentes das cachoeiras. Esta campanha de controle vem sendo realizada pela Prefeitura de Ilhabela, com intermédio da Secretaria do Meio Ambiente, com supervisão estadual da SUCEN.
Sombra e água fresca
Mas nem só de esportes vive a Ilha. Quem não faz parte da turma da adrenalina também tem inúmeras opções de diversão. Durante o dia as praias Grande, do Portinho e do Curral, no lado sul; e as praias do Pinto e da Armação, lado norte, são um convite ao prazer. Enquanto se delicia sob o sol tropical, o turista pode desfrutar dos serviços à beira d’água, com deliciosos petiscos e batidas de frutas. A tarde convida para um passeio à Vila, o centro da cidade. Lá, pode-se observar a arquitetura de época da antiga Cadeia, hoje Câmara Municipal de Vereadores; a Igreja Matriz e, o antigo casarão onde funcionava a Prefeitura, dando lugar à um Espaço Cultural. As lojas bonitas e sofisticadas se misturam à simplicidade do artesanato local ao longo da Rua do Meio e dos Shoppings. Os caiçaras da Ilha, gente de pele queimada de sol, esculpem grandes troncos de madeira, que se transformam em canoas coloridas, remos, barcos e gamelas. Os artesãos ainda dedicam seu tempo à confecção de cestarias, feitas de taquaras. Para quem quer esticar o programa, a noite na Vila é o ponto de encontro de gente jovem e bonita. A badalação acontece na rua do Meio, que vira uma pista de dança ao ar livre. Além de bares e petiscarias, restaurantes oferecem desde comida caseira à deliciosos pratos de frutos do mar. Cafés, sorveterias e doceiras são ótimas pedidas para sobremesas que podem ser saboreadas durante uma caminhada até o Pier da Vila. |